Amor em Pelinhos

Uma dificuldade muito comum em negócios criativos, especialmente quando ligado à arte, é estabelecer uma descrição clara. Quando conseguimos descrever ainda que vagamente o que fazemos, muitos nos questionam se isso de fato é “arte” ou mesmo qual a “utilidade” dela.  Antes de partir pra explicações teóricas sobre o que vem a ser ToyArt, ArtDoll, SpiritDoll e afins, ou mesmo iniciar o debate da necessidade da arte ser útil ou não, achei mais fácil apresentar exemplos reais de trabalhos em que quem realmente importa na transação (o cliente e eu) terminam satisfeitos.
Pra isso, pedi pra que alguns clientes descrevessem sua experiência com a marca Keikolina – e sua relação comigo por tabela – pra ilustrar qual é a ideia que sustenta essa maluquice que é fazer bonecos personalizados e/ou exclusivos.
Quando recebi esse depoimento da Pamela fiquei até sem ar por alguns instantes. Ela descreveu tão bem o que a gente (sim, eu inclusa) procura com o tipo de boneco que eu faço, que fiquei realmente emocionada. <3

Keikolina e eu

Amamos tantas coisas durante nossa infância e adolescência e, mesmo assim, acabamos deixando elas de lado, nos vendo forçados a “amadurecer”, a nos tornarmos “adultos”. Desde que me entendo por Homo sapiens tive paixão por personagens, sentia a necessidade de me conectar a eles e até mesmo SER eles. Era a minha forma de exteriorizar meus sentimentos e essa necessidade não se apagou só porque eu tenho que trabalhar, estudar e pagar umas contas a uma sociedade qualquer… a definição de crescer sempre foi muito abstrata para mim – pois o que eu acreditava que era uma soma, a sociedade via como uma troca -, mas eu não estava pronta para largar minhas paixões e ainda não estou.

Fotos q eu mesma tirei. ^_^
As várias posições possíveis para meu modelo exclusivo de pelúcia articulada.

Ano passado (2016), consegui reunir forças (e dinheiro) para finalmente fazer meu primeiro Cosplay [se vestir tal qual ou inspirado em um personagem] e em meio a muitas pesquisas e contatos, uma amiga muito querida me recomendou uma “bonequeira” muito boa que poderia me ajudar a fazer uma pelúcia que complementaria meu personagem, que encontramos no grupo do Facebook “Compro de Quem Faz das Minas” [trata-se de um grupo secreto pra mulheres, se estiver interessadA, entre em contato com a autora do blog]. E foi então que eu conheci a queridíssima Elza, que foi atenciosa e amorosa desde o primeiro contato. Insisto em dizer que me apaixonei pela pessoa em si, para depois, com muitas lágrimas, me encantar com seu trabalho.

fotos: @becodaphoto

A pelúcia do Kyo, do mangá e animê Fruits Basket, foi nosso primeiro laço e a razão de todo o amor que sinto por ela e seu trabalho; ok, eu sei que pode soar dramático, mas o que me foi entregue foi amor, AMOR em pelinhos.
Ser cosplayer, para mim, significa compartilhar meus sentimentos, minhas paixões e literalmente transmitir isso às pessoas a minha volta. Cada laço da roupa, cada sapato e cada acessório tornam tudo mais real e me ajudam a assumir quem realmente sou e tudo o que amo. E as pelúcias da Keikolina são parte vital disso!

Meu 2º Cosplay foi este ano (2017), e fiz questão de que a Elza me acompanhasse mais uma vez, fazendo o Atashi, do mangá e animê Chobits, me ajudando a tornar tudo perfeito. Mais uma vez ela não me decepcionou! Na verdade, se tem uma coisa que eu aprendi, foi que não importa quão alta suas expectativas sejam, ela VAI E VAI MESMO superá-las de uma maneira indescritível! Vai te matar de amores, sim! Se prepare.

fotos: @paulabaio_photo

Eu sempre serei grata por todo o carinho e atenção que recebo da Elza a cada contato, cada linha e bordado que me ajuda a manter meu espirito do jeito que ele é, amando o que amo e fazendo o que gosto, crescendo e somando. No momento a Elza deve estar fazendo meu terceiro filho (de pelúcia) enquanto escrevo esse texto e a minha ansiedade só aumenta por saber que terei algo especial para amar, feito inteiramente de amor.
Espero que minha vida de Cosplayer vá muito longe e que a cada personagem que surja eu tenha um companheiro inseparável feito de pelúcia ao meu lado.

Pamela Munhoz

Talvez seja difícil pras pessoas que já se acostumaram a se adequar ao código social, quaisquer que sejam seus motivos pra tal, entenderem porque outras pessoas simplesmente não se contentam em seguir o fluxo sem questionar… A verdade é que existem muitas pessoas como eu e a Pamela, que não nos contentamos em apenas fazer o que a sociedade nos mandam fazer. Podemos até nos camuflar durante o expediente, por que afinal trabalho não nasce em árvore e as contas precisam ser pagas. Porém, mesmo que em segredo, no chaveirinho que enfeita a bolsa, no bonequinho que enfeita a mesa de trabalho, na pelúcia que enfeita o quarto, a gente faz questão de carregar uma âncora que represente o mundo ao qual realmente pertencemos. Inclusive, no instante em que colocamos o pé pra fora do trampo, trocamos o sapatinho de cristal da Cinderela – bem comportado e exemplar -, pelos sapatos que realmente cabem em nossos pés (figurativamente, afinal eu mesma muitas vezes prefiro ficar descalça! rs).

Independente de você se gostar de unicórnio ou de vampiros, se você gostaria de ser um lobo ou uma sereia, se você adora deuses da era pré-cristã ou seres de outra dimensão, tudo bem. De verdade. A esta altura, com a internet fazendo parte de nosso cotidiano, ninguém tá sozinha(o) naquilo que nos é importante e, por tabela, agora também já sabe onde encontrar uma âncora ideal pra depositar seus sonhos e sua força, seja feita de amor e pelinhos, como diz a Pâmela, ou de tecido e bordados. E, logo mais, de tecido, resina, pedras e ervas, aguarde! 😉

Só saindo da caixa pra entender a sensação de liberdade e autoconfiança que conseguimos quando nos expressamos, seja como cosplayer, seja colecionando, seja usando um visual de cabelos tingidos e tatuagens pelo corpo. Quando fazemos essas coisas estamos enviando um sinal pro mundo de que somos mais do que peças presas ao tecido social. E o fato de termos coragem de nos expressar das formas mais diversas não compromete em nada nossa capacidade de acrescentar pra sociedade, pelo contrário. Inclusive, possivelmente temos mais estrutura emocional pra enfrentar as agruras da vida do que se não o fizéssemos, porque temos total confiança de que somos muito mais do que a função pela qual somos cobrados ou remunerados.

Pra quem não sabe, eu também já fiz cosplay, lá na época em que fiz fanzines de mangá, quando essa coisa de evento nerd estava só começando aqui no Brasil. As fotos ao lado, do Animecon 2001, denunciam a minha idade, já que são do tempo que as câmeras digitais não eram tão comuns, então me perdoem pela qualidade marromeno. Eu tô vestida de Misato Katsuragi, do mangá/animê Neon Genesis Evangelion. A pessoa que estava ao meu lado nessas fotos é um ex-namorado da época, portanto não quero e nem tenho autorização pra mostrar sua identidade, daí o emoji escondendo o rosto haha. rs (Fica aí a dica: não façam como eu. Sigam o exemplo da Pamela, que fez ensaios fotográficos lindos! Não contem somente com fotos do evento, ou correm o risco de dar de cara com um fantasma em suas lembranças fotográficas! haha)

 

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