Muito Prazer, sou a Keikolina!

Tô há 3 semanas ensaiando pra escrever esse post! Que difícil falar de si mesmo, né?
Há algumas semanas criei uma enquete perguntando quem era meu público, e sou muito grata à todas as respostas que tive! Se quiser respondê-la também, vai encontrá-la neste link. Nada mais justo que também me apresente melhor, né não?

Pra começar, sou filha de mãe japonesa (nascida no Nihon e na tradição e espírito samurai clássicos) e pai de família quatrocentona do interiorrr de SP (com toda malemolência huehue-BR q isso implica), terceira filha e terceira neta de ambos os lados, porém a primeira (e única) com lábio leporino, portanto, com algo diferente na aparência física – veja bem, NA CARA – em ambas as famílias. Sei lá se isso implicou em algo pra minhas famílias, mas influencia sim a minha vida, minhas escolhas, meus medos e ousadias, minhas autodefesas e arroubos de coragem desde q tomei consciência pela primeira vez de que tem algo diferente na minha “fachada” em relação às outras pessoas.

Não sei bem dizer como, mas tenho certeza de que o lábio leporino certamente influenciou minha escolha por me expressar através de imagens traduzidas por meu olhar. Desenho foi minha primeira paixão e desde que peguei o lápis na mão pela primeira vez, temos uma relação tempestuosa. É o instrumento com o qual tenho maior intimidade mas também maior conflito, desde sempre. Assim como minha autoimagem nunca correspondeu com o que vejo no espelho (sim, é frequente até hoje eu levar susto quando me vejo no espelho), dificilmente as coisas q imagino correspondem com o que sou de fato capaz de materializar… E essa foi minha grande batalha na maior parte da vida até pouquíssimo tempo atrás. Só agora, aos 40 e poucos, começo a entender que as coisas jamais serão perfeitas como no meu mundo das ideias e que “tudo bem”. Que os “defeitos” estão nos olhos de quem vê (eu inclusa) e, principalmente, que defeitos são interpretações. Não necessariamente existem… portanto, a busca pelo perfeccionismo não faz o menor sentido.

Minha formação é em Publicidade e Propaganda, mas trabalhei em dezenas de ocupações (meu primeiro emprego foi aos 14 anos) até conseguir ingressar no mundo do design aos 23 anos e, posteriormente, da ilustração. Aos 28 anos consegui finalmente trabalhar oficialmente com algo pelo qual fui apaixonada desde a infância: quadrinhos. Entretanto, a realização de um sonho antigo se mostrou menos encantadora do que se imagina. O esforço pra ser “digna da honra” de trabalhar com o que amava acabou me levando a um estado de estresse que aos poucos matou qualquer amor que eu tinha por quadrinhos. Aos 33 eu estava um farrapo emocional e percebi que precisava mudar. Comecei fazendo mudanças na vida pessoal, começando a faxina na vida pelas beiradas, pelo que era menos difícil abrir mão. Primeiro, largando mão de cursos que não fazia sentido fazer, em seguida, de relacionamentos que não estavam me fazendo bem, e então, iniciando novas relações mais igualitárias e construtivas. Porém aquilo que me era mais valioso-doloroso, aquilo que eu acreditava me definir, permanecia intocável. Hoje percebo o quanto nos apegamos ao que fazemos, como se isso definisse quem somos.

Aos 37 minha saúde estava tão comprometida, a tristeza e a falta de energia era tamanha, que percebi que não havia alternativa. Eu teria que abrir mão do status de “trabalhar com o que amo” e recomeçar. Foi quando anunciei pra meus chefes minha intenção de sair do ramo de edição de quadrinhos e iniciei minha transição de carreira, treinando todos que absorveriam minhas funções enquanto fazia cursos “pra encontrar meu novo eu” (de novo, como se o que fazemos nos definisse) e juntava um pezinho de meia pra minha nova empreitada. Aos 40 eu finalmente me sentia suficientemente corajosa pra fazer o tão esperado reboot – veja bem, não que estivesse pronta, mas a necessidade de não morrer por dentro ficou maior que a necessidade de segurança. Me despedi finalmente de minha antiga função e lancei a primeira versão da marca Keikolina, de bonecos artesanais.

Já são dois anos de caminhada, nos quais aprendi muitas novas funções e possibilidades, nos quais briguei comigo mesma e me consolei dezenas de vezes. Nos quais entendi que era possível, sim, aprender a amar muitas outras coisas, inclusive as que rejeitava (administração e marketing), além de fazer as pazes com o desenho. Acredito que a parte mais difícil desses últimos dois anos foi admitir que não dá pra viver da própria arte sem aprender a transformá-la em um negócio e que é impossível tocar um negócio contando somente com a intuição. Profissionalizar a administradora que há em mim é preciso e 2017 foi um ano de intenso aprendizado nesse sentido.

Hoje me defino como escultora do lúdico. Faço modelagem lúdica, materializando sonhos. Parece amplo e excessivamente metafórico? É porque é assim mesmo que vejo a arte. Se o que faço tem alguma função prática nessa vida é captar o que tá lá, voando no imaginário coletivo, e traduzir pra algo físico no qual você pode ancorar seus sonhos, pra poder continuar surfando nessa vida louca vida sem surtar (tanto).

E defino a Keikolina como uma marca de ToyArt e ArtDoll, bonecos exclusivos e autorais. A intenção é brincar com o inconsciente coletivo pra possibilitar incluir o lúdico na vida cotidiana. Acredito ser saudável que adultos tenham, sim, uma ToyArt na mesa de trabalho ou na decoração da casa, pra lembrarmos dos valores que nos inspiram, daquilo que sonhávamos quando crianças, dos sonhos que alimentamos e nos ajudam a aguentar os momentos difíceis, a despeito da correria da vida. Pra que corrermos tanto? Pra que rejeitarmos o lúdico? Pra que fingirmos que não sonhamos? Se muitas vezes é através dos sonhos que conseguimos recarregar as baterias? A vida já é difícil suficiente sem essa castração toda!

Este blog/site/canal é a nova casa da Keikolina. Nela pretendo colocar um pouco de minhas reflexões e aprendizados, mas principalmente divulgar os temas que me interessam, minhas inspirações e, claro, meus trabalhos. Espero que o conteúdo que tenho pra mostrar seja tão interessante pra você quanto é importante pra mim.

Beijos e até a próxima!

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