Pra mim, o que é Magia?

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Desde que saí do armário das bruxas, algumas pessoas vêm me perguntando o que fazer pra iniciar na magia. Já outras pessoas que me conhecem há muitos anos, notaram minha mudança de temperamento e objetivos de vida, e me perguntam como fiz isso. Pois bem, eis minhas duas primeiras ferramentas pra toda a transformação: Minimalismo e Meditação.

O Minimalismo me ensinou a priorizar o que é de fato importante e a visualizar um quadro mais nítido do tipo de ser humano que eu quero ser, focado na minha essência e nos meus valores. Falo um pouco mais sobre esse processo nesse post. Quando me despi das fantasias e das máscaras, lá estava a menina que era apaixonada por fadas e acreditava que tudo tinha identidade e pulsava vida. Claro que hoje, depois de tantos tropeços da vida, já não consigo acreditar em qualquer coisa nem consigo seguir cegamente qualquer vertente/guru. Porém, tendo em vista as denúncias de assédio e mau caratismo nesse meio espiritualizado, ainda bem que agora tenho esse discernimento, né?

Já a Meditação me ajudou nesse processo de me despir de ansiedades, principalmente e expectativas e frustrações, por tabela, e a me focar no caminho que é possível traçar de acordo com minhas condições psicológicas e financeiras. Em breve publicarei um texto focado totalmente em Meditação, assim como vídeos falando sobre as práticas possíveis, e voltarei pra colocar os links aqui.

Mas onde a Magia entra nessa história? O que nós valorizamos é o que ganha mais peso em nossas vidas, é o que ocupa nosso tempo, que move nossos investimentos e até interfere nas relações e círculos sociais. E o filtro do Minimalismo aliada a visão distanciada e ao mesmo tempo acurada que se adquire com a Meditação, essa combinação foi fundamental pra conseguir virar a chave rumo ao autoconhecimento. Me refiro a conhecer meus próprios limites e aprender a contorná-los.

Em alguns poucos momentos da minha vida tive a sorte de conseguir mudar os rumos da minha desgraceira e sair da espiral de erros. Mas tenho consciência que por muito tempo foi por muita sorte. Porém, hoje, com mais noção das ferramentas que a Magia proporciona, atualmente tô focada em ativamente identificar uma coisa que considero cagada na minha personalidade, ou dissonante com meus objetivos de vida, dai a importância sempre presente do Minimalismo (de novo), e ativamente fazer os esforços pra mudar esse rumo, o que exige muito trabalho, percepção, sensibilidade, humildade, paciência, muita coisa mesmo que só consegui desenvolver com Meditação (de novo).

Sim, usei o termo ferramentas de propósito. Vejo a Magia como uma Caixa de Ferramentas que me possibilitam me afastar do Eu Superável, que já não quero mais ser e me aproximam do meu Eu Desejado, que atualizo a cada obstáculo vencido. Há quem prefira utilizar só a Terapia, há quem prefira PNL, há quem prefira seguir uma Religião. Pois bem, essas 3 coisas eu considero como ferramentas mágicas tanto quanto Meditação e Minimalismo. Todas podem nos ajudar a crescer como seres humanos, sim. E, se usadas sem critério, com fanatismo e acompanhada por pessoas de má índole, podem acabar com nossas vidas. Esse é o problema de ferramentas: são úteis se usadas adequadamente, perigosas se usadas com irresponsabilidade. Daí a necessidade de muito estudo e prática, registrando os resultados em um diário, pra a longo prazo conseguir avaliar o progresso ou reconhecer se as coisas começarem a dar errado, ficar mais fácil de descobrir em que momento as coisas começaram a degringolar.

Meu primeiro ato mágico

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Olhando em retrospectiva, o que considero meu primeiro ato mágico foi quando aprendi a lidar com os momentos de grande fúria. Fui uma adolescente insuportavelmente emburrada e do contra. Não bastando a revolta, era introspectiva, o que piorava tudo, pois eu reprimia todos esses sentimentos ruins porque queria ser uma garota exemplar, aquela exigência de excelência que citei no texto sobre a influência do Xintoísmo na minha vida (neste link). Daí, quando vinha aquela última gotinha que estourava a represa, ninguém entendia de onde vinha o ataque de fúria. “Como é que aquela menina tão quietinha (na verdade, rancorosinha) virou esse bicho?” Percebi ainda adolescente que não adiantaria nada me deixar consumir pela raiva e, o mais importante, eu não gostava de como me sentia quando perdia as estribeiras.

Certa vez, senti o sangue ferver a ponto de dar tremedeira e desliguei o telefone na cara da pessoa. E tirei o fio da tomada, o que hoje em dia equivaleria a colocar o celular em modo avião. Porém, sentia tanta energia no corpo, a fúria precisava sair de algum jeito! Então fiquei berrando desesperadamente, andando em círculos na quitinete que morava, esmurrando as paredes e as portas dos armários, morrendo de raiva por ter perdido a briga (afinal, naquela época, ainda achava que fugir = perder) e o orgulho me impedia de ligar de volta. A cena era claramente de uma fera enjaulada furiosa e frustrada. Entre tantos socos e pontapés, quase quebrei o espelho do guarda-roupa e, quando vi meu reflexo, me dei conta de como era parecida fisicamente e estava agindo igualzinho a quem me provocou essa fúria: meu pai. E se eu tinha uma certeza na vida naquela época, é que tudo o que mais desejava era não ser parecida com ele. E então entendi que, se eu queria ser diferente dele, precisaria agir diferente dele. Essa compreensão foi o empurrão que precisava pra não ser mais aquela fera descontrolada que estava me tornando e queria mais que tudo na vida não ser.

Nos acessos de fúria seguintes, assumi ativamente essa postura de abandonar o ringue até o sangue esfriar. Levantava e saía andando, deixando o oponente falando sozinho. Desligava na cara. Fingia que não ouvia, virava pro lado oposto e corria! haha Não era o modo mais maduro de lidar com a situação, fato. Mas foi o modo que eu consegui de cortar o fio do pavio que me levava a explosão. Depois, mais calma, conseguia explicar pra pessoa meu comportamento bizarro e muitas vezes a questão que despertou controvérsia nem era mais lembrada. Com isso, percebi que me distanciar do que despertou a fúria evidenciava a pouca importância que a treta tinha no contexto todo da vida. Com o tempo aprendi identificar quando a fúria estava chegando, depois aprendi a controlar a raiva pra não precisar mais deixar a pessoa falando sozinha, depois aprendi a fazer cara de salame. Hoje em dia levanto as sobrancelhas e falo: “É mesmo? Puxa vida, né?” Foi essa postura inclusive que me ajudou a sobreviver com saúde mental ao tsunami de merda que foi as últimas eleições. Mas essa sabedoria precisou de um tempo pra ser desenvolvida. Bem uns 30 anos. Quisera ter aprendido antes, com as técnicas de meditação, mentalizações entre outras ferramentas mágicas!

Magia como ferramenta de aprimoramento pessoal

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Acredito que esse exemplo já deixou claro que vejo a magia com um olhar psicanalítico, sim. Acredito que tem a ver com identificar dificuldades de comportamento e posturas diante da vida e então procurar ferramentas pra descondicionar e plantar novas âncoras, que ajudam a redefinir os rumos. Nada diferente do que foi explicado no livro O Poder do Hábito, de Charles Duhigg, que já resenhei aqui no blog, inclusive. Vejo a Magia como uma maneira lúdica e poderosa de trilhar o autoconhecimento.

Porém também vejo como conexão com algo que não tem explicação racional se não como Mistério. Deus? Deuses? Caos? Grande Espírito? Entidades? Espíritos? Seres Extra-terrestres? Energia? Elementais? Orixás? Inconsciente Coletivo? Energia Quântica? Honestamente, não acho importante definir isso. Não acredito que caiba a mim encontrar essa resposta. Talvez caiba a você que tá lendo, mas eu, pessoalmente, não vejo necessidade de catalogar e racionalizar O Mistério que acessamos quando fazemos O Paranauê.

O importante pra mim é que eu sinto DE FATO que tô interagindo com O Mistério, que chamo com o nome que convém a quem tá interagindo comigo, pra evitar grandes explicações. Então, com cristãos chamo de Deus, com pagãos chamo de Deuses, com o pessoal do Xamanismo chamo de Grande Espírito, Ancestrais, com caoístas chamo de Caos, com o povo que não tá muito ligado em espiritualidade, chamo de Energia, com o povo ateu chamo de Meu Rolê. XD Pra todos os efeitos, vou chamar de Deus aqui, porque tô em um país de maioria cristã e creio que todos que estão me lendo entendem esse conceito pelo nosso repertório cultural em comum. Realmente não me importo com o nome dado. O que sei é que existe algo que não é racional e que não pode ser explicado, apenas sentido, e que me ajuda a superar meu Eu Superável e a chegar mais perto do meu Eu Desejado. Meu paradigma leva em consideração que Deus é um poder infinito, latente, disponível, abundante e generoso. Só não vê quem acredita na escassez. A questão é, como mudar a crença em algo que nos disseram ser de um jeito desde que nascemos? Como passar a ver o que nossa cultura e nossa educação negam? Como sair da Matrix? É difícil mesmo e uma luta diária lutar contra crenças limitantes e verdades castradoras.

Acredito que a Magia é não apenas essa fagulha, essa conexão que nos une ao divino. É também as práticas pra estimular e proporcionar essa conexão. E, sim, desapegar, meditar, entender os próprios limites, lutar pra superar esses limites, respeitar e cuidar do próprio corpo e do próprio espaço, aprender a administrar o próprio tempo, entender, respeitar e se relacionar saudavelmente com as pessoas ao meu redor. Vejo tudo isso como atos mágicos que podem me ajudar na jornada de me afastar do meu Eu Superável e me aproximar do meu Eu Desejado. Parece um discurso egoísta, né? Mas a verdade é que estamos falando da parábola da máscara do avião. Quando tudo chacoalha e as máscaras de oxigênio caem, vc deve primeiro colocar uma máscara em si mesmo e depois ajudar quem está ao seu lado e precisar de ajuda. Inclusive, não nos cabe tentar salvar todos. Cada um tem sua própria jornada, suas próprias descobertas. Deixando claro que o caminho da Magia é individual, sim, só não precisa ser solitário. Imagina todos num grande piscinão, cada um com sua bóia! Estamos juntos, mas se eu estiver completamente errada e minha bóia se mostrar ineficaz, não tô levando ninguém comigo pro buraco. 😉

Essa acho que é uma questão importante de se ressaltar: o caminho da Magia é um caminho de autorresponsabilidade. Por exemplo: vamos observar apenas o primeiro dos 4 elementos clássicos da Magia: Terra (matéria), Fogo (vontade), Água (emoções) e Ar (racionalidade). O elemento Terra nos estimula a entender as próprias necessidades materiais, aprender a cuidar do próprio corpo e do ambiente que nos cerca. Aprender que por mais que se tenha foco no espiritual, é importante cuidar do material porque saco vazio não pára em pé. Só esse tema já é uma batalha pra uma vida inteira! E quase todas as vezes uma batalha individual! A boa alimentação, o cuidado com a higiene e a saúde, os cuidados com a casa, com o trabalho… Nem precisamos explorar os outros elementos pra esse começo de conversa. Só o elemento Terra já nos dá assunto pra 950 vídeos pelo menos! Inclusive os primeiros três vídeos sobre Magia do meu canal são basicamente sobre cuidar bem do próprio espaço.

Portanto, não espere tanto por grandes efeitos especiais e maravilhas extranaturais, mas acredite que transformações incríveis podem, sim, acontecer. Traduzindo para o harrypottês, na minha visão a Magia prática tem menos de Vingardium Leviôsa, Poção Polissuco e Aparatadas e mais de Spectro Patronum, Espelho de Ojesed e combate a Bichos Papões. 😉

Diversificando Conteúdo

Escrever sobre essa experiência me ajuda a entender meu processo e, quem sabe, pode ajudar outra pessoa em seu próprio processo também. Além desse blog também tô como um canal no Youtube. Já venho alimentando 2 playlists no canal: Interpretações de sonhos e Narrações de Contos de Fadas; e esta semana tô criando uma 3a playlist, chamada Fada Sensata, focada em conteúdo espiritualista e de autoconhecimento, autoaprimoramento e temas afins! E ainda vou criar uma 4a playlist, pra conteúdos artísticos, demonstrando técnicas de desenho, escultura e modelagem em diversos materiais.

Como a ideia é integrar os conteúdos que disponibilizo aqui com o YouTube, percebi que posso utilizar esse espaço pra aprofundar mais os assuntos tratados nos vídeos. A ideia dessa nova playlist espiritualista é abordar minhas práticas espirituais e mágicas que acredito que me ajudam todo dia a ser um ser humano um pouco melhor do que já fui. Ou seja, na prática é quase o mesmo tipo de assunto que á abordo no blog. 😉

Antes de qualquer coisa, preciso deixar bem claro uma informação: essas são as MINHAS PRÁTICAS abordadas sob o MEU PONTO DE VISTA! Não sou dona da verdade e não falo em nome de ninguém. Não represento um coven, nem nenhuma corrente mágica especifica, não tenho nenhum grau iniciático, nem nada disso. Sou só uma praticante de magia comum, literalmente uma Joana Ninguém na Magia, com formação de orelhada, composta de informações adquiridas com leituras, depoimentos de amigos e, principalmente, tentativas, erros e sucessos que registrei no meu Diário Mágico.

Portanto, não respondo pela prática de mais ninguém, ok? Tenho vários amigos de várias vertentes mágicas diferentes que me ensinam muito e com quem tenho trocas maravilhosas, mas provavelmente eles devem fazer tudo diferente do que eu faço. E tá tudo bem! Porque é importante deixar claro, não existe um Papa, nem uma hierarquia, nem um único livro guia. Não existe um único jeito certo de praticar magia! Se estamos estimados em quase 8 bilhões de pessoas no mundo, acredito que existam quase 8 bilhões de modos de praticar Magia! 😉

Espero que tenha gostado e até a próxima! 😉

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