Quem tem medo do Saturnão?

Saindo do armário de vassouras

Como já devem ter percebido, aos poucos tenho me sentido mais à vontade pra falar dos meus paranauês espirituais. Tanto no particular, entre amigos, como nas redes mesmo, seja no Instagram, aqui ou no Facebook. Isso obviamente tem total a ver com a repaginação da Keikolina, claro, mas na real só passei a expor o que já fazia no particular. A ideia é quem sabe achar minha tribo e, obviamente, ser encontrada por ela também. Numa sociedade tão desesperada por identidade como a nossa, não faz sentido manter uma espiritualidade diferenciada escondida, como um tabu, especialmente em tempos de crescimento do fundamentalismo. Finalmente entendi que essa autoexposição é também uma postura de resistência e ocupação. Bruxa, sim, e daí?

No entanto, quero reforçar que não vou me ater à estética, mesmo porque não tenho o visu trevoso-sexy necessário pra virar bruxinha do Instagram (aliás, adoro, apareçam mais que tá pouco!) Tô mais pra Luna Lovegood, he, he! O escapismo é legal, divertido? Sem dúvida!! Eu, a Gepeta dos bonecos sem noção, sou a primeira a ficar com olhinhos brilhantes quando vejo qualquer escapismo mágico passando no feed.

De fato, a espiritualidade lúdica sempre me encantou, possivelmente pelo método narrativo ser o melhor pra me ensinar qualquer coisa, desde criança. Porém, todo sistema de crenças pode se tornar uma fuga, se for levado só pela estética. Especialmente se encontramos outras pessoas dispostas a mergulhar no roleplay. Aí o autoengano pode imperar e até nos paralisar! Então, na real, foi a possibilidade do caminho solitário que me conquistou nesse rolê. Não sei vocês, mas eu sempre tive o receio de cair numa roubada, no charlatanismo ou, pior de tudo, numa seita louca que me levaria ao suicídio ou assassinato. Confio muito mais na minha intuição do que no movimento caótico de multidões, especialmente porque reconheço o poder que o frenesi grupal tem sobre mim. Pra se ter uma ideia da minha sensibilidade à multidões, eu choro cântaros com coral de Natal. É simplesmente ridículo, então toda precaução é pouca, na real.

Se o símbolo é da hora, o significado é mais foda

A real é que minha prática espiritual é tímida e talvez continue low profile pra sempre, não sei. Mas tenho me disciplinado na periodicidade por perceber que rola uma evolução real-oficial quando insistimos. E por perceber também que o lance lúdico super ajuda a aguçar a sensibilidade. Talvez porque a gente deseja tanto vivenciar o extraordinário e por isso nos concentramos mais em encontrar padrões? Ou talvez porque realmente ficamos mais sensíveis a outro plano? Interprete como quiser, mas o fato é que eu tenho ficado mais alerta às coincidências (“coincidências”?) e, de quebra, apta pra aproveitar melhor quando as oportunidades surgem. A idéia é manter-me correndo, pra quando o trem passar devagarzinho, conseguir subir, saca?

No entanto, mais importante que a prática lúdica, é indispensável a autoanálise constante. Anoto e interpreto meus sonhos todos os dias, tiro cartas no Tarô e estudo seu significado semanalmente, estudo e interpreto meu Mapa Astral e de pessoas próximas sempre que me cai uma ficha sobre um arquétipo (coisa que pode rolar inspirada por literalmente qualquer coisa) e, o mais importante de tudo, interpreto meu próprio comportamento ao agir, interagir e reagir ao mundo que me cerca, de um post no feed, a alguém no ponto de ônibus, bate papo com as amigas ou interagindo com clientes. Mas, atenção, o foco aqui sou eu mesma e não o outro: Por que aquele olhar me incomodou? Por que o julgamento daquela pessoa me afeta? Como eu reagi? Que outras possibilidades de reação eu poderia ter? O outro tem liberdade de falar a merda que quiser, mas o quanto devo permitir que essa merda me afete?

Um exemplo prático de autoanálise e interpretação: Tirar a carta Morte no Tarô hoje logicamente me remeteu ao fato de já ter a intenção sair do armário de vassouras ao escrever este texto. Tô atravessando um limite, finalmente! Talvez alguns amigos passem a me olhar diferente a partir desse post. E, sim, saiu Cavaleiro de Espadas também. Ou seja, minha postura clara talvez afaste algumas pessoas, inclusive clientes. Claro que deu medinho e é exatamente isso que a carta Morte simboliza, um ponto de virada, um recomeço. Algumas coisas ficarão pra trás inevitavelmente, mas novas coisas surgirão. Foi coincidência ter saído essas cartas justo hoje? É bem provável, mas a interpretação que eu fiz dela é exatamente o que eu precisava pra me sentir confiante. Assim como ter saído o Pagem de Copas, um novo amor, frágil porém cheio de possibilidades, que hoje eu li como meu amor próprio bruxo – ainda tímido – por ter assumido publicamente quem sou de verdade. No meu entender, tem muito mais a ver com o momento e com a interpretação, do que com “sinais cósmicos de um plano superior”. E nem fiz a correlação entre a carta Morte e Saturno, o tema desse texto, hein?

Outro exemplo prático, a simbologia contida na Astrologia, que me faz refletir e aprender cada vez que olho pro meu Mapa Astral. Caso não tenha ficado claro ainda, não tô falando de Ciência Exata, não venha me aporrinhar com “Signo Serpentário”. Esse rolê aqui tem mais a ver com Semiótica do que com Astronomia, ok? O que WTF significa ter uma Conjunção entre Vênus e Saturno na Casa 1? Pois é, quem estuda Astrologia já entendeu a treta. Há, há! Tô fudida. Essa informação é inútil se eu não procurar entender o que significa a Casa 1, qual é o signo que tá lá e o que ele significa, qual a simbologia de Saturno e de Vênus e o que significaria um casamento entre ambos. E naquela casa. Cada uma dessas coisas significam algo e juntando tudo eu tenho simplesmente O RETRATO SIMBÓLICO DA MINHA AUTOSSABOTAGEM, contra a qual venho lutando toda a minha vida! Aaah! Como eu não descobri isso antes?! Tenho praticamente o casamento de Bentinho e Capitu na fachada da minha vida!! XD

Porém, saber disso também me deu um superpoder foda. Agora, se eu souber empoderar minha Vênus (que no caso tô lendo como Amor Próprio, Sexualidade, Estética) e aprender a lidar com meu Saturno (Autodisciplina, Controle, Planejamento, Julgamento), essa autossabotagem pode ser amenizada, quiçá até neutralizada. Esse casamento pode não ser tão catastrófico se eu conseguir fazer esses dois conversarem, saca? Seria uma sentença de desgraça se eu ignorasse ou, pior, soubesse e só ficasse arrotando “Ah, fazer o quê, é meu Saturno sacaneando minha Vênus”. ou “Ah, é minha Vênus metendo o lôco deixando Saturno puto.”

Retorno à realidade prática

E isso tudo se reflete no meu trabalho, é claro, uma vez que a proposta da Keikolina é transformar a catarse artística em produtos que sustentem minha vida, numa retroalimentação. Minha arte alimenta meu corpo que alimenta minha arte. É desse trabalho de garimpo interno que saem as ideias de bonecos. Minha primeira Vênus, o porta incenso de cerâmica da foto, era púdica. Embora nua, não possuía sequer o órgão genital e era fofa, quase inocente. Já minhas Vênus mais recentes são afrontosas, são as Feministas de Willendorf, e tem a vagina do tamanho da barriga delas! Há, há! <3 Credito essa transformação às muitas leituras que me ajudam a trabalhar o Sagrado Feminino (algumas delas já até recomendei aqui no blog aqui e aqui) e ao grupo de empoderamento feminino presencial do qual participo.

Saturno é bem menos divertido de trabalhar. Já faz meses que tô no rolê intensivo de lapidar minha disciplina, principalmente pra lidar com o que não gosto, mas que sei ser fundamental pra uma vida saudável que permita minha Vênus florecer. E entendi que posso justamente usar minha Vênus pra ajudar no difícil processo de fazer as pazes com Saturno, alimentando um Bullet Journal caprichado, por exemplo.

Porém, o que realmente me ajudou no aprendizado de Saturno foi a leitura de Vida Organizada, de Thais Godinho. Livro pequeno (juro, 220 páginas), conciso, pá pum, super focado na prática e sem muitas filosofias. Você quer resultado? Então toma! Li vários livros de arrumação, mas esse foi o que conseguiu me apresentar dois métodos realmente eficientes que transformam a vida feito mágica.

A gatinha dessa vez é a Preta. <3

O primeiro método chama-se FlyLady, e tem uma boa introdução nesse post aqui, também da Thaís. Adaptei o método pra minha realidade, obviamente, mas mantive o raciocínio principal: basicamente são rotinas diárias, semanais, mensais, sazonais e anuais. A rotina diária e semanal juntas tomam 2h do meu dia. Parece muito? Na verdade eu gastava ainda mais tempo nisso antes, porque não tinha criado as rotinas, remetendo ao que expliquei nesse post aqui, sobre o livro O Poder do Hábito.

Por exemplo, minha rotina diária matinal consiste em anotar sonhos, arrumar a cama, higiene pessoal, lavar a louça, café da manhã, preenchimento do diário e higiene dos gatos. Tudo já fazia antes, só não tinha definido rotina e horário. Qual a vantagem de estabelecer essas duas coisas? Automatização. Estabeleci tarefas simples, que podem ser feitas automaticamente, liberando a cabeça pra analisar o sonho que tive, pensar no dia que vou ter, ou não pensar em nada também, que é bem importante. Mas o melhor foi sistematizar a parte chata. Saber quanto tempo leva e o que devo fazer passo a passo em relação ao banheiro dos gatos me salva! Antes, eu ficava me torturando o dia inteiro até não aguentar mais. Toda vez que passava perto do banheiro deles, um postit mental pulava na minha cabeça me tirando o foco do que eu estava fazendo. Pra quê a gente se tortura com um compromisso do qual sabemos que não vamos poder fugir? Criei várias outras rotinas, se tiverem interesse, deixem nos comentários, se eu sentir que pode ser útil pra vocês criarem a de vocês, posso fazer um post comparando meu próprio FlyLady com o original.

O segundo método se chama GTD (Getting Things Done), é bastante complexo também e atualmente tô na fase de implementação dos conceitos, que são explicados em minúcias no livro A Arte de Fazer Acontecer, de David Allen. Provavelmente só poderei escrever sobre ele com propriedade daqui uns meses, quando já tiver haqueado o suficiente pra minha própria realidade. Apesar da complexidade conceitual, na prática, depois de implementado facilita bastante a vida, porque é basicamente um sistema de filtro e definição de prioridades e responsabilidades. As dicas mais úteis que já passo logo de cara é: filtre muito bem o que entra, tenha critérios de prioridades e responsabilidades na seleção do que fica e faça na hora tudo o que leva até 2 minutos pra se resolver. O resto se organiza. A hora que eu dominar essa parada completamente, vish, serei a Super Saturnina master! XD

Transfigurar um monstro em um aliado

Seria muito mais fácil simplesmente continuar ignorando minha falta de disciplina e organização, mas isso significa também que eu ia continuar apanhando da vida, simples assim. Tô cansada de me ferrar! A real é que quando não encaramos nossos próprios monstros, eles não saem do nosso pé. Meu exercício de transformar o Saturnão dos infernos em bonequinhos cuticuti é justamente pra isso, ressignificar esse rolê todo, fazer as pazes com ele, trabalhar sua simbologia de modo lúdico pra que fique menos difícil trabalhar com ele na vida real. 

O interessante é que quando fui fazer a pesquisa iconográfica do planeta propriamente dito, pra escolher as cores pro boneco, fiquei supresa em descobrir que ele tem um hexágono no pólo norte!! Os astrônomos não chegaram ainda a uma explicação pro fenômeno, mas minha teoria preferida é a de que existem 6 furacões eternos que delimitam esse formato! Super combina com o Saturno mitológico, não acha? Quem não ficaria ranzinza com 6 pontos de enxaqueca eternos na cabeça? Sendo assim, além dos famosos anéis, meu Saturninho tem um chapeuzinho hexagonal.

Via Pixabay
Imagem via Pixabay

A outra viagem na maionese que apresento hoje é o Reloginho de Dali, cujo spoiler soltei há pouco, no Instagram. A referência, claro, é o quadro mais famoso do pintor catalão Salvador Dali, A Persistência da Memória (ver imagem abaixo), e reflete essa parada do tempo ser relativo, cujo controle é praticamente impossível. O reloginho é plano e possui uma estrutura que você pode dobrar como quiser pra integrar na decoração, como mostra a fotinha com a participação da gatinha Bruma.

Obviamente, por terem a minha assinatura, ambos foram #raiokeikolinizados, ganharam seu #eyebomb e bracinhos com velcro nas mãos. E estão disponíveis pra compra na lojinha do Elo7 com frete grátis (PAC) pra todo o Brasil! Espero que também te ajude com seu próprio Saturno ou, simplesmente se transformem em mimos fofos com referência astronômica ou artística! A propósito, ótimo presente pra Capricornianos e Aquarianos, uma vez que Saturno é o planeja regente desses signos! Fica a dica! 😉

(Clique na legenda das imagens pra comprar)

 

Saturninho da Keikolina, 25cm de diâmetro (contando os anéis)

 

Reloginhos de Dali, plano, 30×20 cm, o bigode é articulado (dá pra mudar a posição das horas).

Aproveito também pra mostrar meus porta-oráculos, caso você também curta algum método divinatório que precise de um recipiente fofo. Tá aqui o álbum pra você espiar.

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