Raio Keikolinizador, um eyebomb pra chamar de meu

Bom, se você é como 70% da população mundial, vive em uma cidade de mais de dez milhões de habitantes e provavelmente já entrou em contato com algum tipo de Intervenção Urbana. Sabe aquela bandeira brasileira que o pessoal do seu bairro pintou na época da Copa do Mundo de 1994 na sua rua? Ou aquele rabisco na porta do banheiro púbico? Ou aqueles painéis hiperrealistas nas empenas cegas dos prédios da Avenida Paulista? Não tô aqui pra levantar a questão de que tipo de manifestação pode ser considerada arte ou não, mesmo porque não acho que eu tenha repertório pra tanto, além do que eu prefiro fazer do que teorizar.

Intervenção urbana é um jeito de deixar a cidade um pouco menos impessoal e fria, ou talvez levar um pouco de poesia e reflexão pro cotidiano corrido, ou simplesmente deixar registrada nossa passagem pelo local, demarcar território, registrar pro mundo o que desejamos. As motivações podem ser infinitas, as técnicas idem e a cidade então, enorme! Portanto, tem muito espaço pra você também arregaçar as mangas se quiser! Vou deixar aqui os links de algumas minas só pra ver se te inspira a se juntar à nós pra trazer um pouco de cor pra vida! As técnicas variam do tradicional graffiti e pixo à lambe-lambes (cartazes), decalques, adesivos, apliques com crochê, tricô, bordado, mosaico, etc Espia só (em ordem alfabética):

Levantei esse assunto porque eu sou uma praticante (menos ativa do que gostaria) da Intervenção Urbana! Resolvi brincar disso com o propósito de melhorar minha relação com a cidade. São Paulo me enerva e consome minhas energias de um jeito que não consigo descrever. Toda vez que vou pro centro a trabalho (em média 1 vez por semana) eu me pergunto porque ainda moro aqui. Eita cidade pra maltratar de seus habitantes! Pois decidi deixar minha contribuição lúdica espalhada pela cidade, pra ver se amenizava meus sentimentos ruins por ela. Quem sabe ficando mais fofínea a monstruosidade dela fica menos cruel? Na verdade é bem essa a relação que tenho com o terror também. Quem sabe deixando os monstros bonitinhos eles me assustem menos?

O que eu pratico se chama EYEBOMB (bomba de olho) e um monte de gente pelo mundo afora brinca disso. Procure pelas hashtags #eyebomb e #eyebombing e aproveite pra ver o mundo inteiro com literalmente “outros olhos”! A gente compra olhos de boneca que custam centavinhos cada, cola do tipo cola-tudo e sai colando olhos pela cidade em coisas cotidianas que, de repente, ganham vida e passam a enfeitar a cidade com pequenos personagens e suas pequenas histórias.

Eyebomb pelo mundo! =D

Isso rola por causa do efeito chamado PAREIDOLIA, um lance louco que acontece no cérebro da gente: alguma coisa estimula nossos sentidos e nosso cérebro rapidamente faz associação com outra coisa nada a ver. Daí identificamos formas nas nuvens, vemos Jesus numa torrada queimada ou um rosto nos faróis de um caminhão. Consequentemente, basta colocar dois pontinhos em um plano e surgem um par de olhos e, assim, qualquer coisa – QUALQUER COISA – ganha um rosto e, portanto, fica parecendo que ganhou vida. ^_^

Exemplos de eyebomb com meu adesivo da Keikolina

Eu ainda personalizei a brincadeira e encomendei adesivos do olho da minha marca. Ando com meu “kit vandalizador” na bolsa e decido qual técnica vou usar, dependendo da área disponível ou da superfície: pra superfícies grandes e lisas, adesivo; pra objetos menores e superfície irregular, os tradicionais olhinhos de boneca.

Pra seguir o Raio Keikolinizador – e de quebra descobrir por onde eu tenho passeado pela cidade – é só seguir a hashtag #raiokeikolinizador. 😉 Prometo atualizar com mais frequência! Admito que sou meio inconstante: as vezes me autodesafio e publico um por dia, mas o mais comum é publicar um ou dois por semana, porque na realidade saio praticando o #eyebomb nos finais de semana ou quando vou ao centro da cidade.

Raio Keikolinizador no Beco do Batman, em São Paulo/SP

E como não podia deixar de ser, eu trouxe pra meus bonecos a brincadeira de colocar olhos nas coisas, e lanço de quando em quando mais um modelo de objeto com olhos, como se o Raio Keikolinizador tivesse atingido um objeto e, pimba! Eis que ele ganha vida! A primogênita foi a Lady Banana (2015), mas o Cocolino (2016) e a Coxinha (2017) também merecem destaque.

Agora em 2018, parti pra um conceito um pouco mais abstrato, unindo o símbolo Girl Power à imagem da Venus de Willendorf e tô lançando a Feminista de Willendorf! hehe São dois conceitos que prezo muito: reverência à ancestralidade e ao Sagrado Feminino mesclado com a lembrança de toda luta que ainda tempos pela frente pra construir um mundo mais igualitário e justo. A Versão Black Feminist Power pode ser adquirida nesse link aqui. E a versão cor de rosa do Feminist Power pode ser adquirida nesse link aqui.

As minhas Feministas de Willendorf <3

Por hoje é só! Nos vemos no próximo post! 😉

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