6 deusas gregas que te ajudam a ser uma pessoa melhor

Não sei se é o clima pré-Dia-das-Mães, mês das noivas ou o fato de ser o mês do meu aniversário… O fato é que eu tinha programado pra falar sobre esse livro no inverno, mas resolvi adiantar a pauta. Acho que é porque já respondi tantos posts a respeito nos grupos de Sagrado Feminino, que ganhei confiança suficiente pra expor fora dos meios protegidos. Haha!

“Sagrado Feminino, Keikolina? Jura?” Pois é, eu não sou nenhuma especialista, mas gosto muito do tema, muito mesmo. Sob uma abordagem intuitiva, com um pé na psicologia e outro no esquisoterismo, ué. Quem sou eu na fila do pão pra ter que justificar racionalmente alguma coisa? Se me ajuda no autoconhecimento, se me ajuda a destravar neuras e a ser mais produtiva e feliz, então qual o problema?

A Deusa Interior, de Jennifer Barker Woolger e Rober J. Woolger,  foi um achado!! Estava procurando mais livros na pegada Mulheres Que Correm Com Lobos (ver link de um post que fiz a respeito) e O Poder do Mito (de Joseph Campbell – não conhece? VAI ATRÁS URGENTE!) e pimba! Dei de cara com esse na livraria e a curiosidade me fisgou! De repente tava na minha cabeceira e lá ficou por muuuitos meses. Meu marido até zoou comigo nesse ano novo, pois um dos brindes foi “Ao livro encerrado!” hehe! É uma leitura pesada, MUITO chata, admito, e só consegui terminar por ler em pequenas doses e alternando com leituras menos insalubres. Lia principalmente quando batia a insônia, pois é o sonífero perfeito! Hahaha! Porém, por incrível que pareça, apesar da chatice, e ter que reler diversos trechos por me desconectar com muita facilidade dos conceitos antiquados, foi O livro que me fez querer entender melhor outras possibilidades do Sagrado Feminino.

Ele parte de conceitos junguianos como arquétipos, ânimus e ânima pra tratar de seis deusas do panteão grego, Ártemis, Atena, Afrodite, Perséfone, Hera e Deméter, e como elas podem ser interpretadas como partes da personalidade de todo ser humano, especialmente em determinadas faixa-etárias e fases da vida, independente de seu repertório ou cultura. No meu caso pessoal, como tenho contato com Mitologia Grega desde criança, por influência paterna, e por já estudar o Tarô Mitológico (por favor, comentem se gostariam que eu escrevesse a respeito) há um tempo, foi relativamente tranquilo reconhecer as simbologias. A dificuldade na leitura foi pelas “verdades” absolutas e conceitos um pouco ultrapassados, especialmente no que tange à luta feminista e à luta LGBT, afinal o livro foi lançado em 1993. Ou seja, de fato li com MUITAS ressalvas, especialmente porque não sei bem se concordo com papéis femininos do jeito como os autores colocam no livro, mas resolvi não julgar e seguir adiante no raciocínio, porque aprendizado é assim mesmo: absorção com filtro. Algo de bom poderia sair daí. E saiu.

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Após uma introdução explicando como o culto à divindade feminina primordial da Europa Mediterrânea se fragmentou em várias facetas e por que foram escolhidos apenas seis dos arquétipos mais claramente definidos pra serem trabalhados, o livro dedica um capítulo pra cada deusa, explicando várias versões dos mitos e suas consequentes nuances, além de trazer exemplos famosos modernos e casos reais que os autores psicoterapeutas acompanharam em suas consultas e vivências, nos ajudando a entender e reconhecer esses arquétipos em fases de nossas vidas ou até mesmo pessoas que conhecemos.

Em seguida, o livro fornece um teste interessante porém machista pra caramba em alguns aspectos. Tem hora que uma mulher comum de 2018 não consegue pontuar nada no teste inteiro porque simplesmente não existe uma resposta viável. Por isso tomei a liberdade de reescrever algumas questões, fazendo com que todas as Deusas se tornem menos alienígenas e mais humanas. rs Aqui tem o acesso ao teste original , e aqui tem o acesso ao Teste – A Deusa Interior Feminista, a versão que consegue ser minimamente mais alinhado com a realidade da mulher contemporânea. Ambos podem ser feito tanto por mulheres quanto por homens, pois a idéia é totalmente calcada nos princípios junguianos de ânima/ânimus (princípios feminino e masculino da pisqué humana), portanto qualquer ser humano pode ter características das seis deusas, assim como podem ter dos deuses masculinos, os quais não são trabalhados no livro. Por esse teste conseguimos identificar mais explicitamente com quais deusas nos identificamos mais, assim como com quais deusas temos mais conflitos pessoais. Essa parte é especialmente interessante, poder entender a treta arquetípica que rola entre Atena, Afrodite e Hera, por exemplo (sim, é uma referência ao episódio estopim da Guerra de Tróia). Também são apresentados alguns usos práticos pra esse conhecimento, tais como propostas pra dinâmicas de grupo ou mesmo ferramenta de auto-análise e auto-desenvolvimento.

O que achei mais interessante nessa leitura é a possibilidade de identificar claramente quais facetas de nossas vidas estão bem trabalhadas e quais com o tempo se tornaram questões não resolvidas ou mesmo feridas emocionais. Por mais que trabalhemos o autoconhecimento, invariavelmente o mais difícil é reconhecer feridas, fraquezas e até defeitos, e esse teste é uma ferramenta muito interessante pra esse fim. Além disso, conhecendo bem nossas fraquezas e fortalezas, ganhamos também a possibilidade de ficarmos mais atentos as autossabotagens, tanto no que diz respeito aos lados negativos de nossos pontos fortes, acomodações ou mesmo a chance de fortalecermos as características mais frágeis. Em outras palavras, reconhecer facetas auto-destrutivas de nossas deusas fortes e resgatar e acalentar nossas deusas feridas, A ideia é que, quanto mais equilibrada as seis deusas estiverem, mais saudável sua psiqué estará.

Grosseiramente, resumi o que cada deusa representa na tabela a seguir, mas recomendo que, caso se interessem em fazer o teste, leiam sobre os todos os mitos, e se tiverem paciência, leiam o livro também, pra extrair suas próprias conclusões quanto ao conteúdo.

Usarei meu próprio resultado como exemplo pra ilustrar a utilidade prática do teste. Meus arquétipos mais fortes são Ártemis e Atenas. Minhas Perséfone e Afrodite estão numa faixa mediana e minhas deusas mais fracas são Deméter e Hera. Logo de cara, consigo reconhecer que minhas deusas mais fortes são super independentes e ficou claro que o isolamento é minha zona de conforto, a ponto de poder dizer que eu tenho séria preguiça social. Por outro lado, apesar da perigosa tendência a rebeldia e preconceito, se for do meu real interesse, posso aproveitar minha racionalidade, perseverança e autosuficiencia pra estudar assuntos que fortaleçam minhas demais deusas.

– Pra fortalecer minha Perséfone (espiritualidade, sensibilidade) que não é tão fraca, mas pode ficar mais forte, reservei horários em minha agenda semanal pra estudos e práticas de autoconhecimento, psicanálise, espiritualidade, criatividade artística, magia, etc a qual sigo disciplinadamente (falo um pouco sobre ferramentas disciplinares nesse post aqui).

– Pra fortalecer minha Afrodite (sensualidade, materialidade), igualmente meia boca, tô trabalhando ativamente minha saúde e autoestima, seja com um regime que me livrou da diabetes iminente, seja retomando atividades físicas há muito abandonadas, ou costurando roupas pra mim, experimentando cortes de cabelo, maquiagens, etc. Minha independência e habilidades manuais artemísicas facilitam pra que eu mesma faça os experimentos estéticos em mim.

– Pra fortalecer minha Deméter ferida (infertilidade, maternidade frustrada) passei a trabalhar com uma segunda marca de artigos artesanais, a Poppy Baby, de produtos pra recém nascidos, me fazendo pensar com carinho em bebês e crianças novamente – uma maneira de ressignificar minha infertilidade. Está na minha lista de possibilidades a voltar a criar oficinas, vamos ver o que rola daqui pra frente. =)

– Pra fortalecer minha Hera (fobia social, paciência zero com política) – eu tinha pontuação negativa nela! Haha! – criei um grupo presencial pra mulheres, focado no estudo do universo feminino, com encontros presenciais em São Paulo, Capital (se quiser conhecer, me add no Facebook e peça pra entrar no grupo). Além disso, criei esse blog pra me forçar a sair da caverna um pouco. A ideia original eram 2 posts por semana… hahaha! Olha a ousadia do plano!

Outras possibilidades de trabalhar as deusas fracas, seriam:

Ártemis fraca: que tal começar uma atividade esportiva nova? Especialmente atividades individuais, tais como ciclismo ou natação. Outra possibilidade, cultivo de plantas ou adotar um animal de estimação. Atividade manual e artística, especialmente artesanato também. Experimente também apreciar sua própria companhia, seja praticando atividade física, numa atividade manual solitária ou só curtindo uma tarde num parque público. Uma pessoa com Ártemis forte é a melhor companhia pra si mesma. Então pra fortalece-la, nada como desenvolver o gosto pela solitude.

Atenas fraca: sugiro entrar em algum curso livre sobre algum assunto de seu interesse, qualquer assunto – de educação financeira a astronomia, passando por pintura ou instrumento musical, qualquer assunto que desperte seu tesão por pesquisar e ir a fundo no desenvolvimento intelectual. Também sugiro fortemente a busca por sua independência – seja emocional, financeira, de conhecimento, qualquer que seja a esfera. Trabalhe seu amor próprio pela pessoa que você é, independente de outros.

Perséfone fraca: sugiro reservar um horário da semana pra dedicar-se ao autoconhecimento, seja estudar algum método divinatório, seja estudar mais disciplinadamente sua própria religião (se tiver), reservar um horário diário pra prática de meditação. Se você for atéia, pode fazer psicanálise, ler auto-ajuda ou aprender uma atividade artística do seu interesse. O importante é trabalhar a sensibilidade e a intuição, não necessariamente por vias espirituais.

Afrodite fraca: sugiro sair pra uma balada de boas e dançar até cansar! Entrar num curso de pole dance, academia. Na falta de grana, procurar atividades físicas gratuitas nos parques de sua cidade. Doar roupas velhas e reformar roupas que estiverem meio caídas também ajuda. Se tiver grana, um banho de loja, um corte novo no cabelo, dar-se um merecido dia de spa.

Deméter fraca: adotar um animalzinho, cultivar plantas, visitar seus sobrinhos… mas, cuidado! Eu fazia tudo isso e ainda assim não era suficiente! Comecei a perceber que havia algo errado quando adotei o quinto gato! XD É essa deusa quem prepara o terreno, planta, cuida, colhe e oferta a todos os presentes. Sendo assim, ensinar é uma atividade muito de Deméter! Se você tiver algum conhecimento pra compartilhar, isso também ajuda!

Hera fraca: o ideal seria candidatar-se a síndica do seu condomínio! Haha! Mas, eu mais do que ninguém, sei como esse cenário é impossível, então se ao menos puder se desafiar a participar ativamente de um grupo social pequeno, clube de leitura, associação de bairro, grupo de mães ou pelo menos marcar um encontro mensal com um grupo de no mínimo 4 amigas, já ajuda pacas!

Por outro lado mas não menos importante, também é super necessário não ignorar a coluna da direita de defeitos das deusas. Pessoalmente acredito que essa seja a maravilha da mitologia grega: os deuses têm defeitos, são praticamente iguais aos humanos, só diferenciam pelo poder e imortalidade. Portanto, é necessário ter auto-crítica e se policiar pra não escorregar nos muitos defeitos das deusas, especialmente na soberba e preconceito das deusas com tendências ao isolamento e nem à chantagem emocional, manipulação e dependência no caso das deusas comunitárias.

Pra concluir, seria muito interessante outros estudos de arquétipos com outros pateões de deuses e deusas, porém, desconheço. Se você conhecer outros livros que também trabalhem mitologias – preferencialmente não européias, pra variar – sobre o ponto de vista arquetípico, por favor, me indique nos comentários! Obrigada!

Espero que esse conteúdo seja útil pra vocês e até a próxima! 😉

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